Educação & Sociedade em Rede

RECENSÃO CRÍTICA DOS VÍDEOS DE MICHAEL WESCH

Vídeo 1 – Students helping students

Este vídeo evidencia o espírito de solidariedade, colaboração e cooperação existente nos estudantes da universidade do Kansas, para com os alunos com dificuldades económicas, revelando um conjunto de valores promovidos no seio daquela comunidade académica.
Se educação não é só instrução, mas também transmissão de valores, este vídeo demonstra o papel da tecnologia, não no âmbito de meros utilizadores, mas de construtores de informação e de partilha. Por outro lado, assiste-se também à importância dada à educação e a possibilidade que a rede oferece para uma verdadeira democratização da educação.

Students helping students

This video shows the spirit of solidarity, collaboration and cooperation that exists among students of the University of Kansas, towards students with economic difficulties, revealing a set of values which are promoted within the academic community.
If education is not only instruction, but also the transmission of values, this video demonstrates the role of technology, not as mere users, but knowledge builders and information sharers. On the other hand, it is also shown the importance given to education and the possibility that the network offers to the pursuit of a true democratization of education.

Vídeo 2 – A vision of students today

Este vídeo pretende alertar para a nova geração de estudantes e a necessidade de alterar os paradigmas da educação, sobretudo no que diz respeito ao ensino superior, a partir da expressão pelos próprios das suas necessidades, desejos e expectativas. É de destacar o uso da tecnologia pelos alunos que nos permite facilmente visualizar o “pensamento” dos estudantes dos nossos dias e a preocupação que demonstram em termos do seu futuro. São relevantes algumas frases que os estudantes mostram, nomeadamente: “when I graduate I’ll problaby have a job that doesn’t exist today.” Esta é uma realidade que já se vem a verificar há vários anos e que é reveladora da influência que a tecnologia tem na evolução da sociedade, em que num espaço de pouco mais de uma década as profissões para as quais os estudantes começam a ser preparados deixam de existir para emergirem novas profissões. A ideia do aluno Multitasking está também aqui muito bem retratada através de uma contabilidade de horas muito interessante, que demonstra claramente as novas capacidades e formas de funcionamento que os estudantes têm ao seu dispor e (quase sempre) tão bem aproveitam. Mas, Multitasking terá vantagens? Por um lado sim, pois permite rendibilizar tempos, conseguindo MAIS resultados. Por outro lado não. Há uma enorme dispersão da atenção, o que nalguns casos pode ser sinónimo de POUCA qualidade. Devemos ser seletivos para podermos decidir quando podemos/devemos ser Multitasking (mulher/esposa/mãe é a representação perfeita) e quando não devemos ser Multitasking (uso dos telemóveis indiscriminadamente por parte dos alunos na sala de aula sem autorização). Por outro lado, tendo os jovens de hoje já nascido na era das tecnologias e o facto de com ela já estarem familiarizados, permite-lhes contribuir com mais-valias e melhorias para a educação.

Vídeo 2 – A vision of students today

This video aims to alert for the new generation of students and the absolute need to change the educational paradigms, especially in higher education, starting from their own expression of their needs, desires and expectations. We emphasize that, the use of technology by students, allows us to easily be aware of their “thinking” when showing their concern in terms of their future.
There are some relevant phrases that students show in particular: “when I graduate I’ll have a job probably that does not exist today.” This reality has been seen since several years now and it is indicative of the influence that technology has on the evolution of society, in which in a space of just over a decade, the professions for which students are being preparred, cease to exist, emerging new ones. The idea of multitasking student is also very well portrayed here through a very interesting accounting of hours, clearly demonstrating the new abilities and ways of functioning that students have at their disposal and (almost always) so nicely take advantage of. But does multitasking have advantages? On the one hand yes, it allows managing time, getting MORE results. On the other hand, no. There is a huge dispersion of attention, which in some cases can mean LITTLE quality. We must be selective so we can decide whether we can / should be multitasking (woman / wife / mother is the perfect representation) or we should not be multitasking (indiscriminate use of mobile phones by students in the classroom without permission).
Moreover, as today’s youngsters have already been born in the age of technology and are so familiar with it, it allows them to contribute with capital gains and improvements in education.

Video 3 – The Machine is (Changing) Us: YouTube and the Politics of Authenticity

Neste vídeo achamos interessante a ideia de que “media are environments, not just tools”. Na verdade, como referido mais à frente, os ambientes moldam a maneira de atuar, por isso a constatação feita no Youtube de que as pessoas revelam aí partes de si que não revelariam de outra forma. Este é um aspeto relacionado com a autenticidade e transparência na rede. O facto de estarmos a falar para uma câmara, sem um público concreto, desinibe e permite uma maior autenticidade e uma maior facilidade na procura de relações, de obtenção de feedback. Por outro lado, esta tentativa de escapar ao anonimato e dizer “estou aqui”, não é um fenómeno novo e disso é reveladora a citação mostrada de Henry Canby que, apesar de datar de 1926, parece tão atual. Pois, apesar de sabermos que o nosso trabalho, vídeo, ou até mesmos nós próprios podemos ser vistos por milhares de pessoas, estas não estão a olhar para nós em tempo real, logo torna-se mais fácil a comunicação, a partilha de conhecimentos e informações e assim somos mais autênticos naquilo que estamos a abordar. Neste vídeo também são abordadas as transformações ocorridas na sociedade e a descrição da evolução da expressão, muito utilizada pelos falantes de língua inglesa, “whatever”, desde o “não me interessa o que pensas”, ao “não me importo” até ao que se pretende que passe a ser “importo-me, por isso vamos fazer o que for preciso com o que for necessário”. Esta mudança de foco nos interesses dos cidadãos é também demonstrativa da relação entre sociedade e política, que se tem vindo a alterar com a presença na rede e a facilidade de comunicação e de disseminação da informação que ela permite, assim como uma maior filtragem face ao que é transmitido e, muitas vezes, manipulado pelos mass media.

The Machine is (Changing) Us: YouTube and the Politics of Authenticity

In this video we find interesting the idea that media are environments, not just tools.” Indeed, as we will see later, the environments shape the way of acting, so that’s why we can find on Youtube people revealing parts of them that there would not reveal otherwise. This feature is related to authenticity and network transparency. The fact that we are talking to a camera without a real audience sets you free and allows greater authenticity and greater ease in finding relationships, or getting feedback. On the other hand, this attempt to escape the anonymity and say here I am” it is not a new phenomenon and it is enlightened with the quoting of Henry Canby that although dating from 1926, seems so up-to-date. Well, even though we know that our work, video, or even we can be seen by thousands of people, they are not looking at us in real time, so it becomes easier communication, knowledge sharing and information and thus we are more authentic in what we are addressing.
This video also addresses the changes occurring in society and the evolution of the term often used by English speakers, “whatever”, since “I do not care what you think”, the “do not care” until what it is intended to become a “mind me, so we’ll do whatever it takes.” This change in the focus on the interests of citizens is also demonstrative of the relationship between society and politics that has changed with the presence on the network and the ease of communication and information dissemination that it allows, as well as a higher filtering face what is transmitted and often manipulated by the mass media.

Video 4 – The Machine is Us/ing Us (Final Version)

Este vídeo lembra-nos o conceito de websemantica, por causa da ideia de que a máquina aprende connosco. Cada página que visitamos, cada carregamento ou descarregamento que fazemos, fornecem dados sobre as nossas preferências que a “máquina” transforma em conhecimento e “guarda” para futuras interações. Neste vídeo realça-se o papel da web 2.0 na construção de redes de conhecimento e de relações e a necessidade de alterar os paradigmas da sociedade face à evolução da tecnologia e às possibilidades que ela oferece. Com o aparecimento da web 2.0 processou-se uma enorme transformação no ciberespaço: em vez de usarmos apenas as tecnologias de um modo passivo para criar documentos fechados, há uma total abertura ao que podemos designar de novos utilizadores/construtores de conteúdos, possibilitando uma partilha de muito boa informação. Fica então associada a ideia de que não somos nós a usar a rede para produzirmos informação, mas é a rede que nos usa para disseminar tudo o que é produzido nós. Claro que está associada uma ideia de enorme responsabilidade mas, como há também transparência, mesmo que a informação não seja a mais correta esta tem vindo a ser cada vez mais depurada, principalmen­te através de novos utilizadores. Logo, cada utilizador tem de saber gerir toda a informação que encontra e verificar os autores para ter noção da credibilidade da informação recolhida.

The Machine is Us/ing Us

This video leads us to the concept of web semantics because of the idea that the machine learns with us. Each page we visit, each uploading or downloading we do, provides data on our likes that the “machine” turns into knowledge and “saves” for future interactions. This video highlights the role of web 2.0 in building knowledge and relationship networks and the need to change the patterns of society due to the evolution of technology and the possibilities it offers. With the rise of Web 2.there was a huge transformation in cyberspace: instead of using only the technologies in a passive way to create “closed” documents, there is a total openness to what can be called new users / builders of content, enabling to share very good information. This is related with the idea that we are not using the network to produce information anymore, but it is the network that uses us to share everything we produce. Of course there must be a great sense responsibility, but also transparency, because even if the first step the information is not so correct it has been increasingly refined, particularly through new users. Thus, each user must know how to manage all the information one finds and verify the authors to get a sense of the credibility of the assembled information.

Adelaide Dias, Alberto Cardoso e Cristina Neto

Master’s students on E-learning Pedagogy, Universidade Aberta – Portugalseparador

Autenticidade e a Transparência na Rede (09 e 13 de janeiro 2013)

separador2012/12/09 20:14

Noção de cibercultura, tal como defendida por Lévy.

Este trabalho foi realizado no âmbito da Unidade Curricular Educação e Sociedade em Rede.

Indicação de três exemplos significativos de Cibercultura.cibercultura

A minha reflexão sobre a noção de cibercultura assenta na ideia apresentada por Lévi, que pressupõe uma troica de entidades:

  • Técnica
  • Cultura
  • Sociedade

A minha tendência vai para a enfatização que concedo à SOCIEDADE, entendendo aqui sociedade como um conjunto de pessoas, os seus sentimentos, as suas ideias, os seus laços, as suas interações e as suas relações hierárquicas, em detrimento da TÉCNICA, que engloba toda a tecnologia e artefactos conhecidos, assim como a CULTURA, que engloba uma dinâmica de ideias e representações.
Toda a minha reflexão irá ser baseada nesta divisão tendo pensado em três links permitem explicar cada um destes campos, sempre apoiado na tese de Lévi.

•   O primeiro link que gostaria de usar e que me remete para o conceito de Sociedade (em Rede) é: http://www.wikipedia.org/cibercultura1
Este é o exemplo perfeito do modo como a “Cibercultura expressa o surgimento de um novo universal, diferente das formas culturais que vieram antes dele no sentido que se constrói sobre a indeterminação de um sentido global qualquer”. (Lévi, pág. 11)
Podemos assim considerar que a wikipédia reflete esta Sociedade virtual (porque está presente em todo o mundo ligada apenas pela rede) que tem como único objetivo o interesse na construção de informação enciclopédica de qualidade, mas sempre num ambiente de transparência e respeito.
A wikipédia tem como suporte a ferramenta wiki, que é uma coleção de páginas interligadas, podendo ser editada por qualquer pessoa. Esta ferramenta é sinónimo de trabalho colaborativo na Sociedade virtual, que se opoe à ideia da “arca do primeiro dilúvio de Lévi, que era única, estanque, fechada, totalizante” (Lévi, pág. 11)
Wikipédia é também “um novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores”, (Lévi, pág. 13) obviamente ligados por e a  pessoas (Sociedade), sem a qual não era possível.
Tal como pensada numa fase inicial a wikipédia é uma plataforma “universal, fundada pela escrita, que pretende manter imutável o sentido, apesar de diferentes interpretações, traduções, difusões, conservações”. (Lévi, pág. 106)
É ainda o reflexo do programa da cibercultura, uma vez que “um grupo humano qualquer só se interessa em constituir-se como uma comunidade virtual para aproximar-se do ideal do coletivo inteligente, mais imaginativo, mais rápido, mais capaz de aprender e de inventar do que um coletivo inteligentemente gerenciado”. (Lévi, pág. 120). É uma das plataformas que uso com alguma frequência e, devo confessar, que para além da utilidade prática para mim tem um efeito secundário muito útil: permite mostar o trabalho conjunto de milhões de pessoas em que a autor é secundário relativamente aos conteúdos. O interesse primeiro é o possibiltar “às Sociedades” um conjunto de informações, que é de grande confiança, uma vez que toda a informação é verificada por um sem número de utilizadores, sendo os menos responsáveis bloqueados nesta plataforma.

•   O segundo link que gostaria de referir é: http://www.flickr.com/ . Esta cibercultura2plataforma da web de alojamento de fotografias fundamentalmente, é um bom exemplo de interatividade entre utilizadores, permitindo a partilha de fotografias de grande qualidade entre os cibernautas, podendo ser criados tags (etiquetas) para serem mais facilmente localizadas. Para Lévi, (pág. 125) “tanto a criação coletiva como a participação dos intérpretes caminham lado a lado com uma terceira característica especial da ciberarte: a criação contínua. A obra virtual é “aberta” por construção… Assim, o evento da criação não se encontra mais limitado ao momento da conceção ou da realização da obra: o dispositivo virtual propõe uma máquina de fazer surgir eventos”.

•   O terceiro link que selecionei foi o youtube: https://www.youtube.com/. youtube_ESRSegundo Lévi (pág. 147) “a World Wide Web é um fluxo. Suas inúmeras fontes, suas turbulências, sua irrestivel ascensão oferecem uma surpreendente imagem da inundação de informação contemporânea. Cada reserva, cada memória, cada grupo, cada individuo, cada objeto pode tornar-se emissor e contribuir para a enchente. A esse respeito, Roy Ascott fala, de forma metafórica, em segundo dilúvio”. Youtube é a imagem perfeita desta representação: imenso dilúvio onde qualquer onde pode ser construtor de conteúdos para a internet mas, ao mesmo tempo, encontrar no youtube pequenas maravilhas realizadas pelo utilizador comum do ciberespaço.
O YouTube é um espaço virtual que permite aos utilizadores carregar e partilhar vídeos, em formato digital, podendo qualquer utilizador embuti-los em blogues e páginas pessoais de forma fácil, rápida e sem custos. Foi eleito pela revista norte-americana Time (edição de 13 de novembro de 2006) a melhor invenção do ano por, entre outros motivos, “criar uma nova forma para milhões de pessoas se entreterem, se educarem e se chocarem de uma maneira como nunca foi vista”.

Referências:
Lévi, Pierre, Cibercultura: tradução de Carlos Irineu da Costa, São Paulo, Ed. 34, 1999, 264 pgs (Coleção TRANS), ISBN 85.7326.126-9
*  Retrieved from: http://pt.scribd.com/document_downloads/direct/11036046?extension=pdf&ft=1355074586&lt=1355078196&uahk=ITS4F7OBNsDNjSrIsKYi849GHXA

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separadorSociedade em Rede: argumentação (de forma sustentada) sobre diferentes conceitos de sociedade em rede

(retirado da wiki em 25/11/2012 18:02

Definição de SOCIEDADE EM REDE

De definição ainda em crescendo, a Sociedade em Rede caracteriza-se, tomando como base o entendimento do autor do conceito, Manuel Castells, por uma sociabilidade assente numa dimensão virtual, possível e impulsionada pelas novas tecnologias, que transcende o tempo e o espaço. É hoje possível assumir-se que sociabilizar em rede é o termo indicado para caracterizar grande parte das interações sociais no mundo ocidental e nos países desenvolvidos desde o aparecimento da Internet.

A Sociedade em Rede, alicerçada no suporte digital, encontra-se vinculada ao nosso quotidiano e às nossas interações com o mundo. Lemos os jornais na internet (podendo, interativamente, comentar essas mesmas notícias), comunicamos através de redes sociais, pesquisamos informações, partilhamos conhecimentos, algo que está a acontecer numa qualquer parte do mundo pode ser noticiado de imediato em tempo real. Com estas pequenas rotinas e hábitos do nosso dia-a-dia estamos a sociabilizar com pessoas que podemos ou não conhecer pessoalmente sem, por vezes, termos essa noção. Logo, podemos dizer, antes de mais, que a Sociedade em Rede revela uma vivência social diferente, aproveitando as potencialidades da comunicação que a Internet oferece para a partilha de sentimentos, ideias, conhecimentos, informações, conceitos, entre outros, sendo a sua principal particularidade a diminuição da distância e do tempo, deixando o mundo mais pequeno e à distância de um simples “clique”.

Muitos são, ainda, os sinónimos (ou conceitos que se confundem com esta) atribuídos à Sociedade em Rede, nomeadamente:

Sociedade de informação:A Sociedade da Informação é um conceito utilizado para descrever uma sociedade e uma economia que faz o melhor uso possível das Tecnologias da Informação e Comunicação no sentido de lidar com a informação, e que torna esta como elemento central de toda a atividade humana (Castells, 2001).” (Borges, 2004)

A sociedade da informação é a sociedade que está actualmente a construir-se, na qual são amplamente utilizadas tecnologias de armazenamento e transmissão de dados e informação de baixo custo.” (Meirinhos, 2000).

Sociedade do conhecimento:O Conhecimento por ser, em grande parte, resultado da partilha coletiva de significados, é necessariamente construído em sociedade, promovendo valores como a colaboração, a partilha e a interação”. (Borges, 2004) Por outro lado, a sociedade do conhecimento é também aquela onde a sua posse toma uma dimensão e uma relevância tal, que determina as atuações em todas as outras áreas, potenciando o surgimento de conflitos que levam à necessidade da criação de acordos e de legislação para proteger os direitos da propriedade intelectual (Tedesco, 1999).

A característica marcante destas sociedades é que o conhecimento teórico e os serviços baseados no conhecimento tornam-se os componentes principais de qualquer atividade econômica.” (EULAKS, s/d). Sobre a relação entre Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento “… o subdiretor geral da UNESCO para a Comunicação e Informação, Abdul Waheed Khan, declara: Sociedade da Informação é o tijolo para construir o edifício de Sociedades do Conhecimento.” (EULAKS, s/d). Apesar destas convergências, talvez não seja demais referir, a este propósito, a discordância de Manuel Castells: “Frequentemente, a sociedade emergente tem sido caracterizada como sociedade de informação ou sociedade do conhecimento. Eu não concordo com esta terminologia. Não porque conhecimento e informação não sejam centrais na nossa sociedade. Mas porque eles sempre o foram, em todas as sociedades historicamente conhecidas. O que é novo é o facto de serem de base microelectrónica, através de redes tecnológicas que fornecem novas capacidades a uma velha forma de organização social: as redes.” (Castells M., Cardoso G., 2005, p.17) A Sociedade em Rede é uma entidade que transcende e atravessa qualquer uma das categorizações atribuídas à Sociedade da Informação, à Sociedade do Conhecimento ou à Sociedade da Informação e do Conhecimento.

Os indivíduos, ao se organizarem em grupos mais ou menos hierarquizados, estabelecem um conjunto de relações, formando redes de maior ou menor grau de complexidade. Na sociedade em rede podemos encontrar um conjunto de elementos conexos entre si, que têm vindo a adquirir uma dimensão que ultrapassa o espaço convencional/físico, levando assim à necessidade de se introduzir um novo conceito de espaço – o espaço virtual/ciberespaço. As barreiras/fronteiras físicas deixaram de ser um fator decisivo na propagação de acontecimentos, notícias, costumes, hábitos, levando a que se formasse uma aldeia à escala global. Deu-se, assim, início a um conjunto de alterações que decorrem a uma velocidade muito rápida, comparativamente a períodos passados da nossa História, lançando nos diferentes elementos da sociedade um sentimento de insegurança/receio/exclusão, que é transversal a todas as organizações (desde o Estado até à Família), que só poderá ser superado se, entre outros, os indivíduos tiverem acesso às ferramentas e meios que permitam a inclusão de todos aqueles que não dominem a linguagem informática e aprenderem a ultrapassar esses sentimentos/angústias através da partilha/colaboração na criação/recriação e divulgação do conhecimento.

Considerada como estádio superior do desenvolvimento humano, a compreensão da Sociedade em Rede enquanto tipo particular de estrutura social deixa em aberto “o julgamento valorativo do significado da sociedade em rede para o bem-estar da humanidade“. (Castells M., Cardoso G., 2005, p.18) A sociedade em rede exige ao ser humano uma nova maneira de estar e encarar tudo na sociedade, por exemplo, a família tradicional em plena crise do patriarcalismo, requer mudanças radicais no sistema educativo, mas também nos conteúdos e organização do processo de aprendizagem. As sociedades que não forem capazes de lidar com este e outros aspetos irão enfrentar grandes problemas económicos e sociais no mundo atual em processo de mudança estrutural.

A Sociedade em Rede pode então ser vista como um “entrançado social” que se vai multiplicando e densificando através de interações complexas e difusas, num mundo em que as fronteiras, entre interior e exterior se esfumam e em que os espaços privados e públicos se confundem. Nesse sentido, torna-se mais inacessível e de difícil observação, carregando em si um misto de instabilidade, de incerteza e de desorientação. Daí advém a urgência no surgimento (de forma contraditória mas igualmente humana) de novas apropriações e “delimitações”, tais como, por exemplo, as de “reenquadramento” do indivíduo (nomeadamente, em cibercomunidades), através da reformulação das identidades, da revisão das pertenças, da reconstrução de cultura (cibercultura), Netiqueta (ética na Web) entre outras.

Em suma poder-se-á dizer que a Sociedade em Rede, de uma inevitabilidade e irreversabilidade constrangedoras, é pautada pela coexistência, sobreposição e conexão entre binómios fundamentais que afetam e são reconhecíveis em quaisquer das suas várias dimensões (social, política, financeira, geográfica,…) e campos (Educação, Ciência, Comunicação…). Esses binómios, que são transversais, podem agrupar-se como:

Descentralização vs. Centralização (que, por sua vez, se pode particularizar noutros binómios como Horizontalidade vs. Verticalidade, Hierarquia vs. Distribuição)
Global vs. Local (numa dinâmica que é transportada para o binómio do Indivíduo vs. Grupo, Ativo vs. Passivo, Abertura vs. Fechamento, Inclusão vs. Exclusão)
Virtual vs. Físico (onde se redefinem as noções de Tempo e Espaço, elas próprias compostas por binómios como Flexível vs. Inflexível ou Instantâneo vs. Diferido)
Público vs Privado (relacionado com o binómio Conetividade vs. Isolamento e também com as noções de Espaço e Tempo)
Tecnologia vs Humanização (num fluxo simbiótico e constante)

Estes binómios, mais do que antagónicos, criam sinergias através de interações complexas (entre si e uns com os outros) possibilitadas pela inexistência das fronteiras nacionais no ciberespaço. É necessário então abandonar a noção de que estes são conceitos opostos, para se reconfigurar a forma como o Homem se define a si próprio e às suas relações sociais. Os opostos dão lugar a noções (e realidades) como Rizoma e Conetividade, que justificam que a Sociedade possibilitada (mas não limitada) pela emergência e generalização da microeletrónica tenha sido cunhada como Sociedade em Rede.

Obras Citadas

  • Borges, L. (Novembro de 2004). Sociedade da Informação. Porto: Universidade Fernando Pessoa. Retrieved from: http://www2.ufp.pt/~lmbg/reserva/lbg_socinformacao04.pdf
  • Castells, M.,Cardoso, G. (2005). A Sociedade em Rede: Do Conhecimento à Acção Política. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Retrieved from: http://www.cies.iscte.pt/destaques/documents/Sociedade_em_Rede_CC?.pdf
  • EULAKS. (s.d.). Sociedade da Informação versus Sociedade do Conhecimento. Retrieved from: http://www.eulaks.eu/concept.html?_lang=pt
  • Meirinhos, M. (2000). A Escola Perante os Desafios da Sociedade de Informação, Encontro As Novas Tecnologias e a Educação – Instituto Politécnico de Bragança
  • Tedesco, J. C. (1999). O Novo Pacto Educativo: Educação, competitividade e cidadania na sociedade moderna. Porto: Fundação Manuel Leão
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